sábado, 12 de abril de 2008

12.º e Novas Oportunidades

- Primo, tou tramado, tenho de fazer um Portfolio e não sei como se faz. Deram-me um contacto de uma rapariga que fez um, mas quando estava a tirar o 9.º Ano. Keres vir comigo amanhã a Porto de Mós?

Estas foram as primeiras palavras do meu primo, na Sexta-Feira passada, mal nos encontrámos para nos dirigirmos até Leiria. Durante a viagem, ele lá me foi contando sobre o desenvolvimento do trabalho dele, no âmbito das Novas Oportunidades.

Mas ele impressionou-me e desta vez com mesmo algo que não estava à espera: o Discurso. Durante minutos, naquela calma viagem, falou-me com um encadeamento lógico de frases bem construídas tal, que quase parecia o Marcelo ou o Vitorino. Eu nunca o tinha ouvido falar daquela maneira.

No Sábado lá fui eu e lá percebi o que é que os professores pretendem com a elaboração do Portfolio. (A última vez que tinha ouvido esta palavra foi quando estava a ser empregue a uma carteira de títulos negociáveis). Resumidamente, ele terá de montar o Dossier/Portfolio com todos os trabalhos já elaborados e enquadrá-los nos requisitos exigidos para obter o 12.º Ano.

Depois de ter descoberto a pólvora, ele lá iniciou a construção do Dossier. Nunca o vi tão empenhado…Os olhos dele brilhavam quando captavam as minhas explicações simples sobre o Excel, apercebendo-se claramente que um computador e um programa de software é um puro jogo de lógica.

Assumo que, quando foi lançado o programa novas oportunidades, julguei que fosse um movimento de fachada que tentasse encobrir o reduzido grau de escolarização da população portuguesa.

Contudo, depois de testemunhar o envolvimento do meu primo, penso agora que este programa junta o útil ao agradável.

A Escola da Vida não é facultativa. Vives a vida, aprendes, vives a Escola, ou seja, a Vida é uma Escola.

A vida transmite-nos experiências que vão muito mais além das experiências dos outros, inscritos sobre a forma de números complexos (na matemática) ou sobre um Activo e uma Passivo de um Balanço (em Economia/Gestão)

Porque razão uma pessoa que já aprendeu 2 ofícios diferentes, já sabe trabalhar com Excel, já consegue elaborar um orçamento familiar não pode ter as mesmas equivalências de uma pessoa que, com menos 10 anos, sabe mais de derivadas e primitivas?

Obrigado Zé por teres transformado um mestre d’ obras (no bom sentido) numa pessoa que tende para o intelectual

Precipitações

- Agora vai parar uns dias, toma este comprimido 2x por dia e depois pode começar a fazer desporto
- Ok. Obrigado Dr.

Assim foi, há cerca de 1 mês…

- Aqui tem Drª, o raio-x. Não está nada partido pois não? O outro Dr disse que não.
- Não, pelos vistos já recuperou

Assim foi há três semanas…

No Domingo de Páscoa, depois de uma semana parado, resolvi “ressuscitar” e lá fui eu ao Ginásio, fazer um treininho… calmo, claro

Terça, fui jogar o último jogo do Torneio Interno de Futsal do BBPI… Correu bem… Lá regressei a casa, de bicicleta, apreciando aquele Tejo magnífico reflectindo as Luzes da Outra Banda.

Quinta, um treino a sério, de perder 700 kcal, pois abaixo disso não é treino, é passeio.

E Dores? Essas nem as sentia, quanta era a êxtase de estar a regressar ao nível desejado.

Sábado, o habitual jogo de futebol. Sentia-me 100% recuperado. O jogo correu bem, dentro do que é correr bem, pois já lá vai o tempo em que jogava tão bem como o Cristiano Ronaldo J… Contudo, mal entrei no Carro do HBS, enormes contracções dos músculos, junto às costelas e no sítio onde fui tocado emergiram… e não paravam…só deitado é que não tinha contracções.

5 Horas depois e os espasmos não paravam, pelo que decidi ir até Hospital. Depois de 3 embalagens de soro (misturado com um químico não sei bem qual) lá pararam as contracções… Toma lá Magnésio e mais uns comprimidos cujos efeitos secundários, com probabilidade de 10%: sintomas de Cansaço e com probabilidades de 1%: sintomas de Vertigens, Boca Seca, Sensação de Embriaguês (esta até nem era má), flatulências (gases) (dos dois parêntesis seguidos serve para mostrar que aqueles primeiros parêntesis estavam lá mesmo. Será que alguém não sabe o que sã flatulências?)

Duas semanas já passaram…. Para a semana vou fazer nova Radiografia e uma Ecografia e vamos lá ver se esta brincadeira passa e se percebo afinal o que tenho.

Anseio por sonhar.

domingo, 16 de março de 2008

Deixem-me Correr

Ás vezes a vida não corre como nós queremos, existem obstáculos, uns mais superáveis que outros, o que de certa forma até nem é mau, pois obrigam-nos a lutar e quando são ultrapassados, em ZEN entramos.

Contudo, há barreiras que eu detesto ultrapassar. Uma delas é não poder correr ou melhor, não poder fazer exercício.

No passado Sábado, num lance disputado, desequilibrei-me e apoiei o meu corpo nas costelas laterais e inferiores em cima do joelho do jogador da equipa adversária. Apesar da intenção desse jogador não ser má, quando saí (não me recordo como) e me assentei no chão, não conseguia respirar normalmente. O não conseguir respirar até nem me estava a perturbar muito, pois o receio que tinha era que, de repente, fosse inundado por uma dor insuportável, o que não ocorreu.

Não obstante, esta situação ainda me deixa com mazelas e, em determinadas situações ou posições, uma dor estranha sinto. Penso ir fazer um Raio X por precaução.

Hoje, sábado, dia sagrado de longa data, dedicado ao Futebol, faltei. Não me sentido totalmente recuperado não fui jogar. O dia estava excelente (para isso basta só que não chova ou não faça calor acima de 40º!), fiquei a olhar para o céu e apesar de não me querer martirizar, lá apareciam esses géneros de pensamentos. Sentia-me, peço desculpa se vou ofender alguém com a comparação, como um católico ferrenho que faltou à missa do Galo.

Hoje de tarde, ainda me interroguei se iria ou não ao ginásio e acabei por não ir. Espero amanhã sem falta poder exercitar, nem que seja na bicicleta. Amanhã é o dia da meia e mini maratona na Ponte e por receio e decorrente da situação acabei por não me inscrever.

Onde eu ganho forças (psicológicas) para ultrapassar algumas barreiras da vida é no ginásio, correndo na passadeira, ouvindo musicas dance ou jogando amigavelmente futebol.

Quando o raio desta dor passar, ninguém me vai parar!

Até lá… Deixem-me correr... Deixem-me Sonhar... Deixem-me Viver

segunda-feira, 10 de março de 2008

Primeiro tema de reflexão grega é a justiça

Peço desculpa, dia 8 (das Mulheres) já lá vai, mas não quero deixar de publicar um texto de Sophia de Mello Breyner:

Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente
Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método oblíquo das Mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos
Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a Terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua

domingo, 2 de março de 2008

São Paulo

Esta frase, excerto da Carta de São Paulo aos Coríntios 12, 31; 13, 1-8 foi lida durante o casamento da Vanessa e do Filipe. A frase é espectacular:

“Ainda que eu tenha o dom da Profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu possua a virtude da fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou”

Casamentos

No passado sábado presenciei mais um.

A igreja da memória foi onde se consumou o matrimónio. Pequenita, mas engraçada. Pela primeira vez cheguei atrasado, depois dos noivos. Uma vergonha, da minha parte! Controlei mal o tempo, ou ele é que me controlou, não sei. Cheguei, entrei, e assentei-me num lugarzinho cá atrás, ao pé de uma miúda. Quando foi a Paz de Cristo e lhe estendi a cara, ela corou tanto que até me senti mal.

A Noiva, a Vanessa estava exuberante, os meus olhos brilharam certamente, ao ver tanta felicidade concentrada em si.

A Vanessa é minha colega no Banco. Está sentada ao meu lado direito. Foi estagiária e durante esse tempo de aprendizagem teve de ter muita paciência para aturar os meus súbitos ataques de mau feitio e o mais espectacular é que nunca deixou de perder o sorriso e a boa disposição. Ela bem merece todas as coisas boas deste mundo. O noivo também é do Banco, do mesmo edifício, e também ele cheio de Energia positiva.

O palácio dos Condes d’Óbitos, pertencente à Cruz Vermelha, foi o palco escolhido para o lauto banquete. Palácio sito na zona de santos, cheio de glamour, com uma biblioteca cheia de luz, repleta de livros nas quatro paredes e ao centro, uma mesa na qual eu já me imaginava a ler e a reflectir ou mesmo a cear.

Mas este casamento foi diferente, pois para além dos noivos, só conhecia mais dois colegas: Um ex-director: o Francisco e uma colega, a Joaninha, estagiária e a madrinha dos noivos. Quer o Francisco, quer a Joaninha, são pessoas que eu admiro, pois fazem-me rir imenso.

Antes do início do Almoço (que começou lá pelas 16h) tempo houve para as conversas. Conheci a esposa do Francisco, a Margarida, e sem dúvida que, é a outra metade dele.

Bom ambiente e disposição se proporcionou, contudo, na hora do almoço, a mesa onde pensava que iria ficar (com o Francisco e Margarida) não existia. Eu iria ficar numa mesa com outros 7 solteiros que eu desconhecia.

Apesar da reacção inicial não ter sido positiva, certo é que me diverti imenso. Mais novos que eu, mas com espírito de criança, como eu, logo começaram a tramar travessuras… A Joaninha conseguiu ficar sem sapatos e nem deu conta.

Ainda na hora do café a irmã do noivo, senta-se, a meu lado, e muito directamente: “Quem és tu que eu não te conheço?”. Lá lhe expliquei o que fazia ali.

A pista abriu com as piores musiquinhas (que são dedicadas aos nossos pais e avós) e mais tarde surgiram as músicas da moda (incluindo a do D’artacão). Dancei com a noiva, dancei com a irmã do noivo, dancei com a Maria do Carmo (rapariga que estava na mesa do Francisco), a festa se consumou e a diversão durou.

Ainda tentei ensinar uma coreografia de dança e no final já me chamavam-me de Dançarino.

Os noivos, bastante cansados, foram-se embora mais cedo que os convidados.

Foi um dia muito bom que me deixou muito bem.

Quando menos esperares…

Esta expressão é-me dito muitas vezes, quando digo que estou solteiro e que não namoro. É uma expressão que, da parte de quem a diz, tem a intenção de confortar o destinatário, transmitindo-lhe também esperança e ânimo. Peço-Vos desculpa, mas para mim, essa frase é quase um palavrão.

Quantos mais “quando menos esperares” vou ter de viver até que efectivamente quando menos esperar efectivamente algo aconteça?